A Caravan Studios melhora o acesso ao transporte público por meio dos dados abertos

Um ônibus na rua na cidade do Rio de Janeiro.

As pessoas que vivem nas grandes cidades provavelmente usam ou sabem dos aplicativos para informá-las sobre o transporte público local. Mas e os bilhões de usuários de transporte público em todo o mundo que não têm acesso a dados sobre os horários do transporte público? Porque não têm acesso e o que pode ser feito para resolver isso?

A Caravan Studios, uma divisão da TechSoup, testou um método para resolver este problema. 

No mundo todo, a maioria dos usuários de transporte público não sabe onde está o seu ônibus

Como parte do nosso projeto Feito na Biblioteca, os usuários da biblioteca criaram protótipos em papel de aplicativos que resolveriam problemas. Os participantes de duas cidades menores votaram bastante em uma solução que dá acesso a dados sobre os horários dos ônibus ou em tempo real. Eles disseram "Eu adoraria ter esse aplicativo, porque não sabemos os horários do transporte público." E também comentaram: "Muito legal, não vou precisar mais ir até o ponto para ver o horário do ônibus!" (Você pode ler mais sobre o projeto Feito na Biblioteca na Medium.)

Estava claro que as pessoas da comunidade queriam - e precisavam - de um aplicativo para ajudá-las a encontrar o seu ônibus. No entanto, não estava claro o porquê delas já não terem acesso a um. Para os aplicativos de transporte público funcionarem, os dados que utilizam precisam estar organizados em um formato específico.

O formato mais usado é chamado de General Transit Feed Specification (Especificação Geral de Dados de Transporte), também conhecido como GTFS. Quando nos juntamos aos voluntários para organizar os dados GTFS de Farroupilha, ficamos curiosos. Quantas outras cidades sofriam com esta mesma situação? Todas estas cidades eram pequenas, como Farroupilha? (Farroupilha tem uma população de cerca de 70,000 habitantes.)

Aprendemos que realmente não há dados de transporte público disponíveis online para muitas cidades pequenas. Mas também não estão disponíveis inclusive para algumas cidades maiores. Por exemplo, não há dados para Belém, uma cidade turística que serve de porta de entrada para a Amazônia (população: 1,4 milhões). E não há dados para a Cidade de Guatemala (população: 994.000).

Essas cidades maiores geralmente podem ser consideradas casos isolados na América Latina. Uma pesquisa realizada pelo estagiário da Caravan Studios, Jaewan Park, demonstrou que o acesso cai vertiginosamente à medida em que diminui o tamanho da cidade.

Cerca de 86% das cidades brasileiras com população acima de 1 milhão tem acesso a dados móveis de transporte público. No entanto, somente 28% das cidades com população entre 50.000 e 1 milhão tem algum tipo de acesso.

E o problema é ainda maior se considerarmos somente as fontes de dados que são abertas ou de uso gratuito. Neste caso, somente 12% dos municípios tem dados móveis de transporte público. Vamos considerar um país continental e urbanizado como o Brasil: uma grande parte da população brasileira atualmente não pode se beneficiar de dados móveis sobre transporte público porque esses não estão disponíveis.

Por que os dados sobre transporte público não estão disponíveis? O que pode ser feito?

A Caravan Studios analisou a disponibilidade de dados de trânsito na América Latina. A análise indicou que 90% das 10 cidades mais populosas da América Latina têm dados móveis de transporte público. Contudo, somente dois-terços das 30 cidades mais populosas têm esses dados.

Assim como no Brasil, é mais provável que as capitais e cidades maiores tenham dados de transporte público disponíveis. Capitais provincianas ou até mesmo cidades vizinhas a capitais ou cidades grandes geralmente não têm acesso a esses dados. Contudo, a nossa pesquisa também demonstra que vários países latino americanos não têm quaisquer dados sobre o cronograma do transporte público em formato online. Dentre esses países estão o Uruguai, a Guatemala, Honduras e a República Dominicana.

A sua cidade pode se beneficiar de um projeto para mapear o transporte público?

Em Farroupilha, 20 voluntários de uma escola de ensino médio local usaram dispositivos GPS para mapear o sistema de ônibus daquela cidade. O resultado é que Farroupilha agora é a primeira cidade brasileira a estar visível no aplicativo "Transit". Devido às exigências do Google, o governo municipal adotou a base de dados elaborada pelos estudantes como a sua base de dados oficial. Essa base de dados foi enviada para o Google Maps para ser incluída naquela plataforma.

O projeto de mapeamento de um sistema de ônibus se mostrou bastante adequado à criação de parcerias. Instituições acadêmicas como escolas de ensino médio ou universidades são ótimos parceiros. O projeto fornece um conteúdo dinâmico para alunos interessados em tecnologia e dados abertos, e que querem ajudar a sua comunidade.

Para levar adiante o sucesso do projeto em Farroupilha, a Caravan Studios deseja replicá-lo em outra áreas, principalmente na América Latina. Você mora em uma cidade que pode se beneficiar de um projeto para mapear o transporte público? Você deseja mais informações? Em caso afirmativo, entre em contato conosco pelo feitonabiblioteca [arroba] caravanstudios [ponto] org.

Como sempre, o nosso aprendizado é contínuo, então fique à vontade para enviar comentários e dúvidas. Para mais informações sobre este projeto, você também pode ler o nosso post no Medium.

Sobre o autor

Ricky Abisla é gerente de portfólio para as Américas da Caravan Studios, uma divisão da TechSoup. Entre em contato com ele pelo rabisla [arroba] caravanstudios [ponto] org.

Recursos adicionais: Caravan Studios

  • Veja como a Caravan conectou ONGs e desenvolvedores para criar aplicativos melhores para causar mudanças.
  • Leia sobre como ONGs e bibliotecas podem usar dados abertos para obter ar mais puro.
  • No dia 16 de agosto, junte-se à Caravan Studios e à Association for Socially Responsible Business (a Associação para Empresas Socialmente Responsáveis). A discussão será moderada pela Susan Hope Bard, da TechSoup. Vamos aprender sobre como membros da comunidade e organizações usam sensores comerciais e construídos por eles. Esses sensores podem coletar e analisar dados em tempo real sobre a qualidade do ar e da água.
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